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You & Me On A Country Jamboree Vol.1 (Country Reggae Compilation 1968-78)


**Português

Vamos voltar no tempo. Especificamente ao século XIX. A Jamaica toda se divide basicamente em diversos latifúndios e seus donos, ou seja, a aristocracia inglesa branca. Sob o sol escaldante do caribe, entre as plantações de cana-de-açúcar, banana, etc, milhares de escravos cantavam para que as horas de intenso labor fossem menos severas. A entonação vocal era única.



Uma distorção nasal exótica e ao mesmo tempo bela, que revela nada mais, nada menos, que a tentativa de continuação de culturas ancestrais milenares em uma terra estranha. Com o passar dos anos, e a fusão cultural entre a cultura negra e inglesa, surge o mento, que durante boa parte do século XX vai representar a produção musical jamaicana.

Esses “caipiras” conseguiram até um certo sucesso, mesmo servindo de “bicho de zoológico” para grandes companhias de Hotéis onde se apresentavam. Com a década de 60, e a avalanche cultural e o orgasmo musical que Kingston sofreu, essa vertente mais “rústica” da música jamaicana ficou sob segundo plano. Muitos tentaram uma carreira musical na capital, mas esbarraram em “exigências técnicas”, principalmente das gravadoras inglesas.

É bom lembrar que na Jamaica, o termo “Quashie”, ou seja, “caipira”, tem um sentido pejorativo fortíssimo. Poucos foram os produtores que acreditaram no “country reggae” e consequentemente, raras são as gravações desse estilo. Nessa coletânea, boa parte das músicas jamais fora lançada em LP, muito menos CD.

Aliás, peço perdão pelo “chiado” de algumas músicas. Nessa compilação consta alguns raros exemplos dessa distorção nasal descendente da musicalidade africana, como em “Babylon Wrong”, um raro B-Side de Aston “Peanuts” Davis. Vale lembrar que só existem duas músicas conhecidas desse sujeito.

O lado A e o B de um compacto de 7 polegadas. O lado A é simplesmente Jailhouse Yodel, na minha humilde opnião, uma das músicas mais lindas que a Jamaica nos deu. Conhecida no triumvirato do roots (São Luís-Belém-Fortaleza) como Melô de Catuaba. Estão presentes também 4 músicas da dupla Prince Brothers, que chegou a ser produzida por Mrs. Sonia Pottinger. Com “Charmaine”, ou o Melô de Macumbeiro, os Irmão Prince se tornaram famosos em alguns lugares, mesmo sem ter idéia de tal fama.

Definitivamente, clássicos do “country reggae” (termo criado pelo colecionador e dj Cabeça de Leão, fora do Brasil, existem outras denominações, como reggaemento entre outras). Estão presentes tambem algumas músicas de cantores que foram influenciados pelo estilo. Watty Burnett (o mesmo King Burnett), que hoje canta com os Congos.

Max Romeo regravando um calypso em forma de “pedra”. E ainda um raro som de Judge Dread, com a clara influencia do country no ritmo. Fora isso, é preciso notar que, mesmo que muitos cantores não tenham gravado country, a musicalidade do interior da jamaica é visível no trabalho de muita gente. Quando um (até então) pintor de paredes de Kent Village resolveu subir no palco de um dos muitos festivais da Jamaica, foi recebido com insultos, como: “Cai fora, caipira”.

Conta-se que, na segunda metade da música Cherry Oh Baby, Eric Donaldson já estava sendo aplaudido de pé, vindo a ser vencedor do festival. A voz única, logicamente foi um fator essencial. Eu poderia citar varios outros, Leonard Dillon (Ethiopian), Maytones, Jackie Brown, etc. Resumindo: existe um universo de música e cultura além daquilo que uma prateleira européia pode mostrar.


ENGLISH:

Let’s go back in the time. Let’s go back to XIX Century. Jamaica divides itself basicaly in large states and their owners, the white british aristocracy.

Below the hot caribbean sun, between the sugar cane and banana plantations, millions of slaves sang to make the hours of the exhausting work less severe.

The vocal entonation was unique. An exotic nasal distortion, beautiful at the same time, that reveals nothing more, nothing less than the continuation of trying to keep the ancient cultures alive in another land.

Passing the years by and with the cultural mixture between the white and the black culture, it’s created the Mento, that during this part of XX Century could represent the Jamaican musical production.

Those “Rednecks” achieved a certain success, even being a “zoo animal” for the major hotel companies where they used to play. By the 60’s, the cultural avalanche and the musical orgasm Kingston had suffered this more “rustic” kind of Jamaican music was on the second plan.

Many tried to make a carrier in the city but the “technical requirements” at the major labels were certainly a big problem. It’s good to remember that in Jamaica, the term “Quashie”, the same as “Redneck” or “caipira” has a huge pejorative meaning.

Just a few producers believed in “Country Reggae” and, consequently, the recordings of that time are very rare. In this compilation, many of the songs were not released ever by LP in anytime.

01 - Carl Dobson - Whoopin mama
02 - Stanley beckford and the turbines - kingston girl
03 - The Ewartonians - Expressing My Feelings
04 - Prince Brothers - Charmaine
05 - Lord Flowers - Pudding Pan
06 - Naaman Lee - Sweeter Than Sugar
07 - John Snowball - Buggy And Horse
08 - Ranchie mclean - country dreadlocks
09 - Green And Hodge - Green Bananas10 - Charlie Ace And Sticky - Penny Reel
11 - Aston (Peanuts) Davis - JailHouse Yodel
12 - Black Hunters - Brillcream
13 - prince brothers - sweet jamaica
14 - Prince Brothers - Let Them Play
15 - Prince Brothers - Ram Jam
16 - The General - Revolutionary Dreadlocks
17 - Astley Dixon (As Stage Lion) - Romping In My Room
18 - Aston (peanuts) davis - babylon wrong
19 - Easton Clarke - Mass Charles
20 - Jackie Brown - Wet Baggy
21 - Turnell McComarck and The Cordells - Irie Festival
22 - Watty Burnett - Dash It Pon Him
23 - Max Romeo - Jamaica God Bless You (BONUS)
24 - Judge dread - Trenchtown billy (BONUS)

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You & Me On A Country Jamboree Vol. 2


Em 2007, o renomado selo Trojan lançou uma box com o título “Country Reggae Box Set”. O problema é que a compilação não traz as músicas que os “quashies” jamaicanos interpretavam, e sim, na maioria dos casos, uma interpretação jamaicana do Country americano, que chegava à ilha via rádio, bem como o Soul.

Já a nossa coletânea (que não visa lucro algum), procura desvendar aquilo que não foi anunciado no rádio com entusiasmo, aquilo que não foi posto na TV, num dia de domingo, sobre o sorriso comprado de dançarinas de palco, aquilo que (felizmente, talvez), foi descartado pela indústria milionária da música e posto num arquivo enferrujado chamado “trash”. Para quem pediu, apresento mais três gravações da dupla Prince Brothers, trazendo versões para clássicos do Mento, como “Gal and Boy”, um remake de “Manuel Road”. E por falar em versão, o ex-baixista de Peter Tosh, George “Fully” Fullwood aparece cantando uma antiga e popular canção chamada “Rucumbine”, um clássico do que poderíamos chamar de MPJ (música popular jamaicana). Quem já estava acostumado com a voz desafinada dos caipiras, pode ver, agora,alguns exemplos de Country Reggae cantado por elas. Com Sister Bell (infelizmente só se conhece essa música dela) temos Guideline 74, uma típica música das competições musicais nos “Festivals” pela Jamaica. Lynthia Cooper, da qual não sabemos nada a respeito, traz um clássico das radiolas do Norte/Nordeste do Brasil, Three Minute Man, composta por Max Romeo. Mas o destaque, desta vez, fica para Stanley Beckford, líder e formador original dos Starlights e The Turbines, que faleceu no dia 30 de abril de 2007, por complicações de um câncer estomacal. Stanley, que já veio algumas vezes ao Brasil, era particularmente famoso no “triumvirato do roots” brasileiro (São Luís, Belém e Fortaleza), além de Salvador e outras cidades. A coletânea traz músicas raras,

que não foram lançadas pelo selo Heartbeat no cd “Soldering”, incluindo uma em que Stanley aparece como Bellfield, numa produção de Alvin Ranglin. De bônus, a compilação traz ainda uma versão de 1978 de Whooping Mama, de Carl Dobson (a faixa de abertura do CD vol. 1), com produção de Joe Gibbs.Fora isso, é preciso notar que, mesmo que muitos cantores não tenham gravado country, a musicalidade do interior da jamaica é visível no trabalho de muita gente. Quando um (até então) pintor de paredes de Kent Village resolveu subir no palco de um dos muitos festivais da Jamaica, foi recebido com insultos, como: “Cai fora, caipira”. Conta-se que, na

segunda metade da música Cherry Oh Baby, Eric Donaldson já estava sendo aplaudido de pé, vindo a ser vencedor do festival. A voz única, logicamente foi um fator essencial. Eu poderia citar varios outros, Leonard Dillon (Ethiopian), Maytones, Jackie Brown, etc. Resumindo: existe um universo de música e cultura além daquilo que uma prateleira européia pode mostrar.

Dj CanutoLion

01 - Stanley Beckford - Ina Mi Time
02 - The Black Brothers - The Donkey Bray
03 - The Prince Brothers - A Fe Me Something
04 - Calypso Joe - Adults Only
05 - The Starlights - Mr Walker
06 - Easton Clarke - Bike No License
07 - George Fullwood - Rucumbine
08 - Naaman Lee - English Woman
09 - Sister Bell - Guideline 74
10 - Bellfield (aka Stanley Beckford) - How You Gonna Get Control
11 - Milton Hamilton & The Classics - Long Long Road
12 - Lynthia Cooper - Three Minutes Man
13 - The Prince Brothers - Gal & Boy
14 - Mellow Lads - Back & Belly
15 - Stanley Beckford (As Starlites) - Faithfull Wife
16 - Billy Dice - Jamaica Will Wear A Crown
17 - The Prince Brothers - Man In Your Life
18 - Mister Flowers - Long Time Daughter
19 - (Bonus) - The Man Ezeke - Love Jamaica
20 - (Bonus) - Carl Dobson and The Liberals - Whoping Mama (Version 2)

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